quarta-feira, 18 de julho de 2018

ARTIGO: Tétano e Botulismo: atenção sempre constante!

Dentre as enfermidades mais comuns nos bovinos, as clostridioses são as que mais causam mortes no Brasil. Apesar de termos excelentes vacinas no mercado, sejam elas monovalentes ou polivalentes, temos sempre que estar atentos e seguir à risca os protocolos vacinais, lembrando sempre do reforço, que mantém o nível imunológico contra essas doenças.

Além da vacinação, fatores externos nas propriedades devem ser levados a sério, como destinação correta de carcaças, limpeza de instalações, água de boa qualidade, de preferência clorada, no caso de bebedouros, e corrente, no caso de águas naturais. Evitar sempre cacimbas de águas paradas que acumulam muita matéria orgânica e, consequentemente, micro-organismos, como esporos de clostrídios.

Hoje abordaremos de forma simples e objetiva o Tétano e o Botulismo. A tetanopasmina é uma potente toxina do Clostridium Tetani, o causador da doença. O c.Tetani está presente tanto na flora intestinal dos animais quanto no solo e nas fezes, por isso, na maioria das vezes, a infecção por clostridium Tetani ocorre após cortes na pele e procedimentos cirúrgicos.

Segundo a literatura e a nossa própria casuística de campo, os equídeos, asininos e muares são mais susceptíveis ao Tétano. É comum encontrar esses animais com tétano após procedimentos cirúrgicos malsucedidos, sem a devida higiene, e profilaxia, como por exemplo, a castração. Por isso, a recomendação de sempre usar a vacina antitetânica antes de cirurgias invasivas em equinos.

Os bovinos também são acometidos por tétano, porém a infecção torna-se mais rara devido a maior resistência dos ruminantes a esse micro-organismo, mas isso não quer dizer que não devemos estar atentos e sempre manter a higiene nos procedimentos.

Os sintomas do tétano são: rigidez muscular, trismo (maxilar permanece fechado e rígido), posição de cavalete e cauda em bandeira. Existem casos de tanta rigidez muscular que ocorrem até fraturas espontâneas de costelas e outros ossos. O prognóstico raramente é bom, existem casos de cura com altíssimas doses de penicilina, mas tornam-se raros devido à alta endotoxemia da doença.

Botulismo: Causada por Clostridium Botulinum, a maioria das infecções ocorre em bovinos, mas apesar de raro, ocorre também em equinos, como um caso em nossa região, em 2016, de uma égua atendida inicialmente por mim e o diagnóstico posteriormente fechado e confirmado pelo Dr. Sérgio Antunes Marques.

O contágio ocorre após a ingestão da toxina, em alimentos deteriorados com a presença de CL Botulinum ou em água parada suja com alta presença de matéria orgânica. Ferimentos também podem ser porta de entradas, porém de forma secundária.

Sintomas: tremedeira, andar cambaleante, paralisia de faringe, dificuldade de apreender alimentos e engolir água devida a progressiva e grave paralisia da face e da língua, que na maioria dos casos fica para fora completamente paralisada.

No Botulismo, assim como no Tétano, a taxa de cura é reduzida, mesmo com a sensibilidade as penicilinas a toxemia da doença é voraz e rápida. Portanto, amigos, é muito importante realizar as vacinações de prevenção regularmente tanto contra o Botulismo e nas clostridioses, onde a maior prevenção é a vacinação polivalente, com reforço, a partir dos 3 meses de idade. E sempre manter os utensílios de lida e as instalações higienizadas.

Pasquale Alessandro Laurenti CRMV SP 24819

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