segunda-feira, 9 de julho de 2018

CATI faz avaliação dos prejuízos da greve na região

Durante a greve, produtores de Guaratinguetá fizeram protesto na Dutra em apoio ao movimento. Foto: Divulgação / Associação Agropecuária / Coopavalpa

Texto: Hyanne Patricia

O mês de maio foi marcado pela crise de desabastecimento no país, decorrente da greve dos caminhoneiros, que causou reflexos negativos em diversos setores e longas filas nos postos de combustíveis. As paralisações nas principais rodovias dos estados impediram o frete de mercadorias, como alimentos e remédios, e afetaram o trabalho de produtores rurais do Brasil inteiro que se viram impossibilitados de escoar a produção.

De acordo com informações da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) Guaratinguetá, não foi possível verificar a situação dos produtores da região “in loco” e levantar dados quantitativos devido à limitação de deslocamento. Porém, numa avaliação qualitativa, a cadeia produtiva da região que mais sofreu com a greve foi a de laticínios. 

“Em condições normais, a região capta em torno de 350 mil litros de leite sob inspeção do SIF diariamente. Cooperativas e grandes laticínios tiveram muitas dificuldades para captar, chegando a situação de possível paralisação, tanto pela dificuldade de transporte quanto pela capacidade de estocagem. Houve também dificuldades no processamento e transformação do leite pela falta de insumos para a fabricação de derivados”, destaca o engenheiro agrônomo e diretor técnico da CATI Guaratinguetá, Jovino Ferreira Neto.

Além da captação, a armazenagem do leite nas propriedades e o desabastecimento de concentrados também foram pontos preocupantes. “Os produtores encontraram dificuldades em função da capacidade dos tanques de resfriamento e porque é recomendável o armazenamento por até 2 dias. Além disso, o ligeiro desabastecimento de insumos para ração impactou na diminuição de produção dos rebanhos, alguns produtores se viram obrigados a diminuir o fornecimento de concentrados de maneira estratégica para diminuir a produção, como forma de minimizar as perdas econômicas”, continua.

Outros setores
Ainda segundo a análise, o mercado de venda de arroz em casca não sofreu prejuízos consideráveis, “pois é um produto que pode ficar armazenado, aguardando boas oportunidades de mercado”. 

Entretanto, os produtores do setor encontraram obstáculos para colheita e transporte interno. “Em função de indisponibilidade de óleo diesel, situação agravada para alguns pequenos produtores que não dispõe de estrutura de armazenamento. Na época, a colheita estava na fase final e havia estimativa de 160 mil sacos armazenados na região, em torno de 25% da quantidade total colhida por safra no Vale do Paraíba”, analisa.

Segundo Jovino, o setor de hortifrutigranjeiros é pequeno na região, mas “a situação de abastecimento em alguns médios municípios da Região foi minimizada pelas feiras livres com a pequena produção local”.

Em uma avaliação geral, Jovino ressalta a importância da atuação das cooperativas e pequeno produtor. “Entre outros aspectos, podemos também destacar que a paralisação dos caminhoneiros serviu para ressaltar a importância das cooperativas no apoio à produção, na logística de transporte e na defesa dos interesses comerciais dos produtores, além da importância da produção local e sua contribuição para o abastecimento de alimentos”, finaliza.

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