sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Produção de mel oferece oportunidade de renda extra

Aula prática durante segundo módulo do Programa de Apicultura do Senar. Foto: Hyanne Patricia

Texto: Hyanne Patricia

Há três anos investindo na produção de mel, própolis e cera como renda extra, o operador de telecomunicações e apicultor iniciante José Roberto, de 38 anos, busca ampliar o negócio. Beto, como é chamado, é participante do Programa de Apicultura oferecido gratuitamente pelo convênio Faesp/Senar em Guaratinguetá ao longo deste semestre.

Com 38 caixas e uma produção de cerca de 800kg de mel em um ano de boa colheita, na Fazenda Santa Rita, no bairro da Jararaca, o apicultor possui consumidores certos, mas buscou a capacitação para melhorar a técnica e, consequentemente, aumentar a produção e renda. “Com técnica a gente ajuda mais as abelhas e automaticamente elas vão produzir mais”, explica.

Apicultor José Roberto durante capacitação do Senar. Foto: arquivo pessoal

Com a certificação após o curso, José Roberto conta que pretende oferecer novos produtos e tornar a atividade sua única renda. “Espero conseguir aproveitar mais a produção e penso em trabalhar com novos produtos também, como o pólen, tem também a geleia real, tudo com estudos do que é mais viável”, diz.

Capacitação
O Programa de Apicultura, que entra em seu terceiro módulo este mês de setembro, tem o objetivo de promover um alicerce para o produtor que deseja iniciar na apicultura como fonte de renda, capacitando os participantes desde a implantação do apiário até a gestão do negócio. 

“Os cursos tinham duração de cinco dias e a partir de 2008 modificamos o conteúdo programático e criamos o programa. De lá para cá, nesses 10 anos, já temos bastante gente trabalhando com apicultura, grupos formados, entidades voltadas ao fortalecimento da área, desenvolvendo cada vez mais a apicultura na região do Vale do Paraíba”, explica o agrônomo, apicultor e instrutor do Senar, Bernardino Machado de Carvalho Junior.

Foto: Hyanne Patricia

Com 26 anos de experiência na área, o instrutor observa que o mercado tem crescido e que a região tem potencial para se desenvolver ainda mais no setor. “O que sempre se exigia era capacitação dos apicultores e capacidade de processamento e distribuição, então a quantidade de gente produzindo aumentou, a busca por produtos naturais tem sido cada vez maior e busca-se essa produção com muita qualidade, principalmente na região da Serra da Mantiqueira, que confere um mel de qualidade inigualável em relação a sabor, cor e aroma”, destaca.

Neste cenário, Bernardino é otimista em relação ao futuro da apicultura. “A gente vislumbra uma elevação de produtividade, não de quantidade de colmeias, e sim de produtividade por cada colmeia, saltar de 20 para 30 ou 40 kg por colmeia. Visualizo uma demanda muito grande, como já acontece nas prefeituras com o mel em sachê, mesmo o produto não sendo oferecido em todas as merendas, alta produtividade para os apicultores, alta capacidade de produção e consequentemente elevação de renda”, opina.

Foto: Hyanne Patricia

Inovação
Aos 56 anos, o professor de TI da Unesp, Ricardo Wurthmann Saad, aposta na apicultura como uma alternativa lucrativa para se dedicar após a aposentadoria, prevista para o ano que vem. Com alguns equipamentos e caixas já em uso, o professor espera iniciar a produção após a conclusão do programa. 

Ricardo durante aula prática. Foto: Hyanne Patricia

“Há alguns anos comecei a ler sobre apicultura, comprei umas caixas e alguns materiais e comecei a fuçar por conta própria. Cheguei a um ponto em que quis saber mais e procurei apicultores da região, que me indicaram o curso do Senar e a ideia, desde então, é me dedicar mais a isso”, conta.

Diferente da maioria dos apicultores que se dedicam a produção de produtos apícolas mais tradicionais, como o mel e própolis, Ricardo diz que pretende trabalhar com extração de veneno de abelha, atividade que exige equipamentos e uso de tecnologia. “O veneno de abelha é usado em cosméticos porque ele tem potencial de rejuvenescer a pele. Ele entra na composição de alguns produtos de beleza e é um produto altamente rentável, sai por volta de 40 dólares a grama”, finaliza.

Nenhum comentário:

Postar um comentário