quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Sistema Intensivo a Pasto com Suplementação

Foto: Hyanne Patricia / Dr. Wagner Beskow durante palestra sobre o SIPS na sede do Sindicato Rural de Guaratinguetá

O SIPS – Sistema Intensivo a Pasto com Suplementação, é um sistema de manejo que se originou da necessidade de conseguirmos, de alguma maneira, fazer com que o produtor de leite obtivesse uma maior rentabilidade na atividade leiteira, preservando ou minimizando seu esforço, sua mão de obra, não se contentando com baixa produtividade por vaca (o que normalmente caracteriza sistemas que dependem do pasto), desmitificando aquela ideia do pasto como bandeira político ideológica e, sim, o pasto dentro de uma visão moderna de uso de tecnologia e de recursos que sejam viáveis ao produtor.

A cadeia leiteira mundial vive um contexto de desafios e a nossa não é exceção, com vários produtores saindo da atividade, mas isso pode ser visto de forma positiva, porque é uma seleção para produtores mais profissionais, um caminho natural e necessário na atividade leiteira.

Para atingir o objetivo desse sistema: alta ingestão de pasto, pasto como alimento de altíssima qualidade quando bem manejado e bem fertilizado. Mas reconhecendo que aqui na região somente o uso do pasto leva a uma produção de até 12 litros de leite por vaca, sendo necessário o uso do concentrado, com a ração.

É preciso desmitificar que o uso da ração, que o produtor erroneamente acha que é o vilão da atividade leiteira, mostrando que o vilão é a baixa qualidade do volumoso, inclusive pasto. Então, na medida que temos um volumoso de alta qualidade, com alta digestibilidade, energia e proteína, é possível reduzir o uso da ração por litro de leite, saindo de 3 litros de leite por quilo de ração para até 4,5 litros, excepcionalmente em alguns momentos, 4,8 litros de leite por quilo de ração para vacas de alta produção. Nesse sistema, nós visamos 25 litros numa Girolando em região tropical e de 28 litros a 34 litros numa Holandesa em momentos sem estresse por calor.

O grande fator que tem feito com que se destruam propriedades, em solo e renda das pessoas, é a falta de planejamento, falta de produção de volumoso para períodos secos, obrigando que os animais rapem as pastagens. Quando temos esse suplemento guardado, e por suplemento nos referimos a tudo que é dado no cocho, conseguimos manter a cobertura vegetal a não menos que 28% do ponto de entrada, é o resíduo remanescente mínimo que recomendamos. Mantendo isso não temos compactação de solo e temos preservação da reserva da planta para reprota, tanto de carboidratos como de folhas. 

Nesses aspectos de manejo, chamamos atenção para a entrada no pasto com as folhas dobrando lá em cima, não retas e não excessivamente dobradas para baixo (com os anos percebemos essa correlação com a altura). Se nos mantivermos nisso aí e utilizarmos o volumoso conservado como a silagem para aliviar as pastagens quando falta pasto, abrir espaço no rumi, diminuindo silagem fornecida para vaca para que aumente o consumo, conseguimos manter a pastagem sempre dentro desses limites, jamais encanada ou rapada.

O produto da pastagem é a lâmina folhear verde. É a folha, e nunca a cana, a semente, a flor. Então, quando vemos pasto excessivamente grandes e encanados, temos que saber que está perdendo dinheiro, a vaca não está conseguindo colher e está tendo grande perda de produção, desempenho animal e produtividade de pasto ao longo do ciclo também.

Tudo isso foi tratado (na palestra) dentro de um contexto de desafio internacional, da necessidade de sermos competitivos, da importância de não haver uma dependência nem expectativa de governo que faça milagre dentro da cadeia leiteira.

Esse SIPS permite custos mais baixos que a Nova Zelândia, com margens muito maiores, é o motivo pelo qual ele tem dado certo e em todo o Brasil tem ajudado famílias a aumentarem significativamente sua renda, superando 7 mil reais de lucro por hectare/ano e não há motivo nenhum para que o Vale do Paraíba fique para trás. Muito pelo contrário, já liderou a história do leite no Brasil, tem todas as condições naturais para isso, e fiquei muito entusiasmado com o nível de conhecimento dos participantes e o grau de interesse.

Dr. Wagner Beskow

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