quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Recomendações FAESP sobre a 2ª fase de vacinação contra Aftosa


A partir de 1º de novembro, a maior parte dos estados brasileiros vai iniciar a segunda etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa. Serão imunizados os animais com até 24 meses. Apenas o Acre, Espírito Santo, Paraná e parte de Roraima (reservas indígenas Raposa Serra do Sol e São Marcos) vacinarão todo o rebanho (jovens e adultos). "Precisamos desenvolver uma ação emergencial para que a retirada da vacinação se concretize em pouco tempo, pois o pecuarista é muito onerado com os custos da vacinação, afirma Thyrso Meirelles, pecuarista e vice presidente da FAESP- Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo. Acrescenta que a redução do uso da vacina, a partir do ano que vem,"trará economia de R$ 44 milhões ao Estado de São Paulo, que está sem foco da doença desde 1996".

Afirma que a FAESP e o CNPC, há cerca de cerca de três anos, promovem campanhas, palestras, reuniões alertando para providências necessárias, visando reduzir prejuízos aos criadores de São Paulo e do Brasil."Agora, mesmo com o Brasil começando a retirar a vacinação, assim como outros países da América do Sul, está sendo criado o Banco de Vacinas e Antígenos (Banvaco). Sob a coordenação do Centro Pan Americano de Febre Aftosa (Panaftosa), o Banvaco terá estoques estratégicos de vacinas aos quais os países poderão recorrer em caso de eventuais emergências sanitárias".

Afirma que a FAESP e o CNPC com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Paraná- FAEP- têm desenvolvido um trabalho conjunto para que, realmente, se efetive a retirada da vacinação, num curto espaço de tempo. "Precisamos trabalhar em conjunto para uma solução rápida com este objetivo, pois será uma conquista de inestimável valor paras todos os pecuaristas".

O Brasil é considerado livre da aftosa com vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). O estado de Santa Catarina, que não vacina o rebanho desde 2000, é reconhecido, desde 2007, como área livre da doença sem vacinação. O país não apresenta um foco da doença, desde 2006, e estudos do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa) mostram que o gado pode prescindir da vacina, após cinco anos. Com base nesses dados, a FAESP vem defendendo aos órgãos competentes a antecipação do status de área de livre aftosa sem vacinação. ?A cautela é importante, mas há formas eficientes de controle, sem esse custo anual que ultrapassa R$ 300 milhões e recai todo sobre o pecuarista - isso apenas na compra de vacinas" defende Meirelles.Fundos emergenciais

A FAESP pretende apresentar a criação de um fundo privado, com fins indenizatórios e educacionais, seguindo os exemplos dos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás. A reserva seria destinada às ações emergências de isolamento, em caso de foco, além de programas de capacitação estadual. A proposta já foi discutida entre as Comissões Técnicas e Especiais da Federação.

Atualmente, São Paulo registra um rebanho de 10,46 milhões de cabeças, segundo os números do Instituto de Economia Agrícola (IEA). Isso significa que, se o tamanho do rebanho se mantiver, os pecuaristas do estado gastarão R$ 62,76 milhões, até 2021, apenas com vacinas, sem contar o custo de equipamentos e da contratação de técnico.

"A nossa primeira vitória foi em acordo com a Secretária da Agricultura e Abastecimento de São Paulo, com forte apoio da CDA, quando convencemos o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA para alterar o calendário de vacinação contra aftosa no Estado de São Paulo".

Conta que o gado adulto passou a ser vacinado em maio, ao invés de novembro, com isso a incidência de abortos na Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) caiu de 16% para apenas 4%. "Na sequência, tivemos uma segunda vitória, quando conseguimos a alteração do volume de dose da vacina, de cinco ml para dois ml, para reduzir a ocorrência de abscessos que causavam perdas de vários quilos nas carcaças, durante a toalete no abate?. Esta redução é resultante da retirada do vírus C e permitirá a retirada da saponina da formulação em benefícios aos criadores".

Alerta que, em breve, as entidades esperam pela retirada da vacinação contra a aftosa, a nível nacional, o que trará grandes benefícios e também novos acessos a mercados internacionais, mais remuneradores. 

Conforme estimativas da Divisão de Febre Aftosa (Difa) do Mapa, em 2018 deverão ser utilizadas 337.713.800 doses de vacinas; em 2019, serão 308.235.501; em 2020, 269.395.197; em 2021, 155.118.834. Com a redução do uso da vacina, a partir de 2019, a economia será de R$ 44 milhões; em 2020, de R$ 102 milhões; em 2021, de R$ 274 milhões e, em 2022, de R$ 506 milhões, alcançando quase R$ 1 bilhão, sem contabilizar os gastos com o manejo envolvido na vacinação (mão de obra, cadeia de frio, transporte e outros).

PNEFA
O Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA 2017-2026), dividiu o país em cinco blocos de estados para a retirada completa da vacinação no país.
Pelo cronograma, a suspensão da vacina será feita da seguinte forma: 2019/2: Bloco I - região amazônica: Acre, Rondônia e Paraná; alguns municípios do Amazonas e do Mato Grosso; 2020/2: Bloco II - região amazônica: Amazonas, Amapá, Pará e Roraima; 2020/2: Bloco III - região Nordeste: Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte; 2021/2: Bloco IV - região central: Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe e Tocantins; 2021/2: Bloco V -região Centro-Sul: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Mesmo com o Brasil começando a retirar a vacinação, assim como outros países da América do Sul, está sendo criado o Banco de Vacinas e Antígenos (Banvaco). Sob a coordenação do Centro Pan Americano de Febre Aftosa (Panaftosa), o Banvaco terá estoques estratégicos de vacinas aos quais os países poderão recorrer em caso de eventuais emergências sanitárias.

Cuidados com a vacinação

  • Compre as vacinas somente em lojas registradas.
  • Verifique se as vacinas estão na temperatura correta: entre 2° C e 8° C.
  • Para transportá-las, use uma caixa térmica, coloque três partes de gelo para uma de vacina e lacre.
  • Mantenha a vacina no gelo até o momento da aplicação.
  • Escolha a hora mais fresca do dia e reúna o gado. Mas lembre-se: só vacine bovinos e búfalos.
  • Durante a vacinação, mantenha a seringa e as vacinas na caixa térmica e use agulhas novas, adequadas e limpas. A higiene e a limpeza são fundamentais para um bom resultado.
  • Agite o frasco antes de usar e aplique a dosagem certa em todos os animais: cinco ml. O lugar correto de aplicação é a tábua do pescoço, podendo ser no músculo ou embaixo da pele. Aplique com calma, para evitar a formação de caroço no local da vacina.
  • Siga as recomendações de limpeza, utilize a agulha certa, desinfetada e trocada com frequência.
  • Não se esqueça de preencher a declaração de vacinação e entregá-la no serviço veterinário oficial do seu estado junto com a nota fiscal de compra das vacinas.



Nenhum comentário:

Postar um comentário